quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Menina, esse teu cabelo!

Além dos principais pontos que fazem de um ser humano uma mulher, uma das características mais marcantes delas é o cabelo, longo de preferência. E existem cabelos de todas as cores, jeitos, cortes e tamanhos, a mulher que domina a sua cabelereira e cuida sempre, faz a diferença no meio das que não valorizam a dádiva de ter um super cabelão!

Eu, por exemplo, já tive vários tipos de cabelo. Até meus 7 anos, eu e minha mãe compartilhávamos o mesmo corte de cabelo: curtíssimo, na orelha. Me deixava muito feliz os comentários de que a gente se parecia demaaaais. Mas chegou o tempo que na escola começaram a fazer bullying (na época não era esse nome chique) por causa do meu cabelo, falavam que era cabelo de homem. Com isso, decidi mudar. Deixar crescer. Falei pra minha mãe que tinha mudado de ideia sobre meu cabelo, contei a história do bullying e ela respeitou minha decisão. Decidi ter o cabelão, porque menina que é menina tinha que ter o cabelo comprido!

Cabelo em Novembro/2012


Como eu amava brincar, correr e até ficar suada! Mas prender o cabelo? JAMAIS! Algumas outras meninas, amigas da minha irmã, mais velhas que eu, me diziam “Analu, prende teu cabelo quando você for brincar”. E eu não tava nem aí pra o que elas diziam! Detalhe: meu cabelo nunca foi encaracolado como o da minha irmã ou liso como os das modelos da passarela, ele era volumoso e sem definição. Adorava correr com aquela cabeleira solta. Hoje quando vejo uma menina na mesma situação que a da Analu da época, vejo o porquê me orientavam prender o cabelo: fica todo ‘fuá’ e com o suor, os fios de cabelo soltos acabam grudando no rosto e no pescoço (pode parar com essa carinha de nojo que você tá fazendo!) e então, eu mesmo me ofereço com um prendedor de elástico pra aliviar aquela menina do sofrimento que ela nem tem conhecimento!
Quando eu tinha 12 anos, me falaram que tinham uma solução para o meu problema de cabelo sem forma, volumoso e feio: escova definitiva. Eu não sabia bulhunfas o que era. Mas aceitei fazer, me prometeram que meu cabelo seria liso e lindo todo o tempo. Pessoas, eu só tinha 12 anos! Mais louca que eu, foi minha mãe que deixou que isso acontecesse (Mãe, te amo!). Lembro exatamente do dia INTEIRO que eu passei no salão, com um fedor forte de produto químico e um lava-escova-prancha sem fim! Quem já passou por uma experiência assim levanta a mão \o/ !

O resultado momentâneo foi realmente tudo que me prometeram, cabelo liso, brilhoso, tá que não era cheiroso (por causa do formol) mas tava cumprindo muito do que eu sempre desejei. Alguns meses depois, meu cabelo original começou a aparecer, minha cabeça ficou meio que inchada, um aspecto estranho, tinha que pranchar ou escovar pra ficar legal, coisa que acontece com todo mundo que faz esse tipo de ‘tratamento’ no cabelo. Chegou a hora do primeiro retoque de raiz, mais um dia no salão, tudo certo até então. Aí, meu cabelo deu corte qúimico! Tá, vou explicar: o corte químico ocorre quando há uma desestruturação na fibra capilar, ou seja, os fios de cabelo ficam tão fracos que acabam se partindo. E foi isso que aconteceu com o meu cabelo. HORRÍVEL. Eu era uma adolescente do Ensino Fundamental com um toco de cabelo atrás da cabeça. Fiquei um longo ano hidratando meu cabelo todo fim de semana e também sem nenhuma química. Na época minha mãe era revendedora de produtos capilares (Te amo, mãe!) e sempre cuidava dos meus fios, até com leite (!) a gente lavava depois da piscina.

Dessa época, eu tinha talvez uns 13 ou 14 anos, até Janeiro desse ano, com 19 anos, eu dava uma aliviada na minha juba com um tratamento chamado relaxamento, parecido com o anterior só que sem formol e com um ph químico bem mais fraco. E meu cabelo era enorme, lembra que eu decidi isso lááá na época dos 7 anos? Pois bem, em Maio de 2013 eu radicalizei! Cortei meu hair na altura dos ombros, muitos me chamaram de maluca, corajosa e outros adjetivos, houveram aqueles que me compararam com minha mãe de novo. E eu simplesmente me amei! Na minha cidade muito quente, manter um cabelo longo e saudável demanda muito trabalho, paciência e tempo. E também eu tinha cansado de mim daquele mesmo jeito sempre. Fiquei até Setembro de 2013 sem cortar por motivos de ‘minha irmã vai casar e eu preciso de um penteado bem maravilhoso’, mas na segunda-feira após o casamento dela, passei a tesoura. Desde então estou com o cabelo curto, confesso que cada vez mais curto. Fiz uma mechas roxas, depois azuis, depois loiras. E decidi voltar ao meu cabelo original. E me amo cada vez mais.

#bluehair


O cabelo é um total companheiro da mulher. Ora expressam como a dona está se sentindo, se tá de TPM, se tá se amando, se acordou com raiva, ou com pressa, ou disposta. Os cabelos têm lá suas funções: servem pra esconder os fones de ouvido naquela aula chata, pra fazer charminho na balada, pra destacar aquele par de brincos novos lindos que você achou na promoção, pra fazer aquele coque alto estilo Neura nas tardes de calor extremo, pra esconder na touca na hora do banho, pra aquecer, pra embelezar, pra servir de peruca pros amigos que não tem cabelo e querem tirar uma foto com cabeleira, pra ser acariciada, pra se destacar entre outras tantas de cabelos iguais. Não importa o tamanho, a cor ou quantidade do seu cabelo - você pode ser mulher até mesmo sem cabelo J - seja você e leve todo o seu corpo como seu fiel escudeiro.

Cabelo Agosto/2014 (Foto: Naésio Maia)


Ana Lourdes Pereira
1º de Outubro de 2014

Feliz Outubro Rosa!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Here we are, again!

Hey guys, welcome back!
Achei esse texto de 2013 nos meus arquivos.
O acho interessantíssimo, e tenho certeza que a dor de quem já passou pela situação narrada no texto é beeem maior.
Boa leitura, não deixe de comentar!

Ana Lourdes

PH, Setembro e música britânica. 

Era Setembro, um mês que, até então, costumava ser quente e com cheiro de primavera para nossa família. Logo no começo do mês é quando comemoramos nosso aniversário de casamento. Sempre fazíamos festas lindas e grandes aonde reuníamos família e amigos. Nove anos atrás, em uma dessas festas anunciamos a nossa 1ª e única gravidez, Paulinho é certamente a coroa da nossa comemoração anual. Nesse ano, uma semana depois da nossa comemoração, Paulinho adoeceu e teve de ser internado com muitas tosses e fraqueza em caráter de urgência.

O olhar de Paulo Henrique, de apenas 8 anos, era sereno e dizia: não se preocupem, vai ficar tudo bem. PH chegou ao nosso hospital tossindo muito, fraco, sem apetite e desmaiando. Mas mesmo como todos esses sintomas, com seu sorriso e pouquíssimas brincadeiras conquistou toda nossa equipe durante os 23 dias que ficou sob nossa responsabilidade. Menino alegre, cujo seu desenho animado predileto era Bob Esponja. Quando não estava assistindo, montava grandes quebra-cabeças ao som de Artic Monkeys, ele dizia que esses meninos eram o melhor da atual música britânica.

Acompanho as vidas de Seu Mário e Dona Juliana desde quando ainda eram noivos. Já fazem doze anos. Sou motorista da família Azevedo e amo meu trabalho. Além do fato de os meus patrões serem bonitos e simpáticos, eles respeitam todos os funcionários da casa, gostam de fazer caridade e participam do clube de golfe. Existe também a vantagem de levar e buscar Paulo, o filho único deles, tem 8 anos. Para quebrar os tabus de filhos que não têm irmãos, Paulo é amável, tem muitos amigos, adora lugares abertos e não foi criado por vó.



Foram 23 dias de tratamento, 23 dias levando, no mínimo duas agulhadas por dia. 23 noites mal dormidas e 23 dias preocupantes. Nosso bebê não merecia isso. Chorávamos desesperados por respostas e exigíamos ter de volta a vida saudável de Paulinho. Nos escondíamos dele quando as lágrimas corriam. Como aquilo doía. Ele era mais forte do que nós, seus próprios pais. Nunca tirou o sorriso lindo, sincero e banguela do rosto. Ele sabia que precisávamos dele.

PH tomava uma bateria de remédios (comprimidos e xaropes) por dia, sem contar as injeções. Eu, como enfermeira-chefe, estava abalada com o amor desesperado dos pais e a calmaria que o sorriso de PH demonstrava. Não podia me deixar abater. Lembrava que tinha que agir como uma profissional da saúde. Meus anos de estudos e dedicação não iam ser derrubados pela vida curta de um menino fofo e feliz. Um dia antes de partir, PH me presenteou com um pen drive cheio de músicas do Artic Monkeys. Sem querer, aquela criança me ensinou a apreciar outras culturas, a aproveitar cada segundo do nosso dia, a sorrir com Bob Esponja, a ser sábio e fingir que está tudo bem. E o garoto só tinha 8 anos.


Paulo foi internado com o diagnóstico inicial de pneumonia. Mas logo descobriram um tumor no pulmão do garoto. Todos ficaram abatidos com a notícia e não demorou nem um mês depois do 2º diagnóstico para Paulo deixar seu sorriso, simpatia, quebra-cabeças e músicas internacionais na nossa memória. Seu Márcio e Dona Juliana estão sofrendo muito. Agora temos um buraco enorme no peito, do tamanho de Paulo, PH, Paulinho, ou quem sabe seja maior, bem maior.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Todos precisam de uma Dona Maria

Olá queridos leitores, tudo bem com vocês?
Como sugestão do meu querido irmão Ben Rholdan (já quase um homem casado!), publicarei aqui, no Bela, alguns dos meus textos que saíram aqui, na coluna Opinião do portal Do Minuto (um portal de notícias da minha cidade).
Hoje o texto nos remete à infância, nostalgia e... CHOCOLATE!
Sim, esse doce maravilhoso que faz parte de mais de 60% da lista dos vícios mundiais (informação baseada na minha grande imaginação). :D
O texto é uma narrativa suave na nave, espero que gostem.



Todos precisam de uma Dona Maria

Lembro demais da Dona Maria, gente boa que só. Vendia doce ao lado da escola que eu estudei no ensino fundamental. Faz um tempinho isso. Seus brigadeiros e doces de leite eram os melhores da cidade, sem dúvida. Eu sempre fui gordinha. Posso culpar Dona Maria por isso.
Sou louca por doce, desde então. Deixava de lanchar frituras com refrigerante para comprar muitos doces da Dona Maria. Ela tinha uma conversa ótima. Até perguntava como eu estava indo na escola, quais eram minhas matérias prediletas e quais os professores que eu não gostava. Quando descobri que ela e sua filha, Regina, faziam bolos sob encomenda, convenci minha mãe a comprar o bolo da minha festa de aniversário com ela. Contrariada, fez o que eu tinha pedido entre lágrimas e chantagens.

A festa foi um sucesso. E eu não deixei distribuir todo o bolo. Fiquei com mais da metade pra mim. Concluí a sexta série. Nas férias, sobrevivia sem os doces da Dona Maria, com o consolo de tê-los em dobro na volta às aulas. Mas naquele ano não voltei às aulas. Não naquela escola. Meu pai foi transferido para uma cidade do interior. Mudamos em Janeiro. Fui matriculada na melhor escola particular da cidade. Tristemente, era uma novata. Como era chato ser novato. Além de não conhecer ninguém, nem a escola, nem a cidade, nem igreja tínhamos para frequentar. Lembrava saudosa dos doces da Dona Maria. Emagreci que só naquele ano.
Com a falta dos doces diários, tive que aprender sozinha a fazer meu próprio brigadeiro. Dizem que é gostoso. Modestamente, eu amo! Mas mesmo assim, não são nem comparáveis com os da Dona Maria. Os de leite, nunca aprendi. Quer dizer, nunca acertei fazer como deveria. Mas um dia ainda volto lá, Regina deve ter herdado a colher de pau de sua mãe.  Há algum tempo, decidi me controlar: como chocolate só umas três vezes por semana. E consigo ainda conservar meu peso. Sou quase uma heroína.

Ana Lourdes Pereira
1º de Fevereiro de 2013

Espero comentários e compartilhamentos.
Beijos e queijos para vocês. 
Bela Ana.

sábado, 23 de março de 2013

Um desses que escrevem.

Já notou a singularidade de cada escritor? O poder e o manejo que eles têm com as palavras? Pensando nisso, compus esse pequeno texto. Leiam. :)

UM DESSES QUE ESCREVEM

Taí que escrever não é pra qualquer um. Escrever não é só colocar a sequência letras/palavras, palavras/frases, frases/texto. É muito mais do que isso.
Para escrever tem que ter coragem de passar para o papel ou para a tela de um computador tudo o que se sente, vê e pensa.
Para escrever tem que ter disposição de ouvir críticas e um sorriso largo para receber elogios.
Para escrever tem que ser louco de 'perder' a noite transferindo ideias através dos dedos.
Para escrever tem que ter paixão pelas letras e pela língua.
Para escrever tem que ter alma de escritor, que vê em qualquer situação corriqueira, uma bela história.
Um dia, ainda quero ser um desses que escrevem.



Agora, comentem. :)
Ps.: Desculpem a ausência.

Beijos, Bela Eu.

(Deu um bug aqui no blog e a fonte das letras não ficaram todas iguais. Perdão por isso.) 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Relapso

Janeiro?  Já foi. E foi um mês excepcionalmente bom, mais Janeiros, por favor!

Sobre o texto de hoje... Já desejou ser mais velho(a)? Ou mais novo(a)? Ou algo assim?
Leia "Relapso" e veja que há outras pessoas como você.


RELAPSO
Corações partidos... são realmente necessários? Thadeu sonhava em tê-la de volta. Um daqueles sonhos que estão na lista dos impossíveis. Queria mais verde, talvez seja por isso que hoje defende a bandeira de ecologia e preservação da natureza. Mesmo sem Virgínia em sua posse, contava com ótima memória e lembrava cada detalhe do tempo que compartilharam. Do seu corpo, da sua voz, do seu sorriso. Éramos felizes, pensa saudosamente. Alguns anos os separavam.
Um de seus melhores momentos juntos foi quando comemoravam uma data especial, a aprovação dela no vestibular para medicina. Lembra que ela estava de vestido verde, um verde aberto, vivo, que chamava atenção. De sapato preto, batom vermelho e sombra escura, VIRGÍNIA estava ‘estonteante’. Thadeu desejou então ser 15 anos mais novo.
Ela teve que mudar de cidade, foi estudar. Thadeu continuou carimbando papel em seu emprego público. Vestido verde... isso, pra um homem apaixonado, é deixa pra suspirar e passar na mente um filme lindo do romance vivido.  Hoje, só basta ver uma mulher de verde, aberto, vivo, que chame atenção, não importando a cor do cabelo, ou a marca do batom, ou a cara emburrada, Thadeu deixa cair um sorriso tímido e saudoso que traduz: volta pra mim, Vi? Às vezes se pergunta ‘o que ela viu em mim?’. Virgínia tinha jovialidade de sobra, ele era um homem careta. E, mesmo sem entender, adorava ser parte do romance.
Fonte: Amib.org

Tem dia que tudo é verde, aberto, vivo e que chama a atenção. Um dia desses na cafeteria, viu ela  do outro lado da rua, de branco. Adulta, de cabelo curto, médica plantonista, com um energético na mão, quem sabe pra segurar um plantão. Não teve coragem de atravessar a rua, faltaram forças. Talvez precisasse daquele energético, a própria Virgínia. Foi covarde. Naquela hora, de olhos fechados, Thadeu sonhou acordado e se viu nos braços dela.
A partir daquela tarde, a cor oficial de Virgínia virou ‘branco’. Agora, ele quer ver mais vestidos brancos, abertos, vivos, que chamem atenção.

E aí, gostaram?
Deixe seu comentário!
Tenham um ótimo resto de semana. Bjos

Ps.: A escolha do nome do personagem masculino do texto foi uma espécie de homenagem a um super amigo que me apoia sempre e me corrige quando é necessário. Ele (também) escreve. E muito bem! Vejam aqui.